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Como calcular a comissão de cabeleireiro e barbeiro

Os modelos de comissão mais usados em salão e barbearia, o que descontar antes de calcular, exemplos com números e o que a Lei do Salão-Parceiro muda na relação.

8 min de leituraAtualizado em 15 de setembro de 2026

Para quem é: Donos de salão e barbearia com profissionais comissionados, e profissionais que querem entender como a própria comissão é calculada.

Comissão mal combinada é uma das maiores fontes de briga dentro de salão e barbearia. Quase nunca pela porcentagem em si: pelo que entra na conta. O profissional pensa no preço cheio do serviço, o dono pensa no que sobrou depois do produto e da taxa do cartão, e ninguém escreveu nada.

Este guia organiza as decisões que precisam ser tomadas e mostra as contas. Os números usados são exemplos para facilitar o cálculo, e não uma recomendação de porcentagem.

1. Primeiro, a base: comissão sobre o quê?

Antes da porcentagem, decida sobre qual valor ela incide. As escolhas mais comuns são três:

  • Sobre o valor cheio do serviço. É o mais simples de entender e de conferir.
  • Sobre o valor recebido, descontada a taxa da maquininha ou do link de pagamento.
  • Sobre o valor líquido, descontando também o custo do produto usado no serviço, como a tinta na coloração ou o gel no alongamento.

Nenhuma das três é errada. Errado é não dizer qual está valendo. Escreva a base junto da porcentagem, com um exemplo de conta, e entregue uma cópia para cada profissional.

2. Os modelos mais usados

ModeloComo funcionaCostuma servir para
Porcentagem fixaA mesma porcentagem em todos os serviçosEquipe pequena e serviços parecidos
Porcentagem por serviçoCada serviço com a sua porcentagemServiços com custo de produto muito diferente
EscalonadaA porcentagem sobe quando o profissional passa de uma metaIncentivar produção
Fixo mais comissãoUm valor mensal garantido e uma porcentagem menorQuem ainda está formando clientela
Aluguel de cadeiraO profissional paga pelo espaço e fica com o que atendeProfissionais com clientela própria

3. Exemplo de conta

Imagine uma coloração de R$ 200, paga no cartão com taxa de 3%, que usou R$ 40 de produto, com comissão combinada de 40%.

Base da comissãoValor da baseComissão de 40%
Valor cheioR$ 200,00R$ 80,00
Descontada a taxa do cartãoR$ 194,00R$ 77,60
Descontados a taxa e o produtoR$ 154,00R$ 61,60

A mesma porcentagem dá quase R$ 20 de diferença no mesmo serviço. É por isso que a base precisa estar escrita.

No modelo escalonado, a conta muda por faixa. Por exemplo: 40% até R$ 6.000 atendidos no mês e 45% sobre o que passar disso. Quem atendeu R$ 8.000 recebe 40% de R$ 6.000 mais 45% de R$ 2.000, e não 45% sobre tudo, a menos que isso tenha sido combinado.

4. Produto vendido, desconto e assinatura

  • Venda de produto, como pomada, shampoo ou óleo, costuma ter comissão própria, porque a margem é outra. Defina separado.
  • Desconto dado pelo dono sai da parte de quem? Combine se a comissão incide sobre o preço de tabela ou sobre o preço cobrado.
  • Atendimento de cliente assinante precisa de regra antes de o plano ser lançado: a comissão sai sobre um valor de referência do serviço ou sobre uma parte da mensalidade.

5. Quando e como pagar

Semanal, quinzenal ou mensal: o importante é ser sempre no mesmo dia e com um extrato mostrando cada atendimento, a base usada, a porcentagem e o total. Extrato transparente acaba com a desconfiança antes de ela começar.

6. A Lei do Salão-Parceiro

A Lei 13.352, de 2016, conhecida como Lei do Salão-Parceiro, criou as figuras do salão-parceiro e do profissional-parceiro para cabeleireiros, barbeiros, esteticistas, manicures, pedicures, depiladores e maquiadores. Nesse formato, o salão retém uma parte do valor de cada serviço, chamada cota-parte, pela estrutura que oferece, e o restante fica com o profissional.

O contrato de parceria precisa ser escrito, e a lei traz exigências para ele valer. Como as consequências trabalhistas e tributárias dependem de como o contrato é feito e de como a relação acontece no dia a dia, converse com um contador ou advogado antes de adotar esse modelo.

Chamar de parceria uma relação que na prática tem horário imposto e subordinação não protege ninguém. O contrato precisa refletir o que acontece de verdade.

Na Barbly, cada profissional tem a própria porcentagem de comissão, calculada a partir dos atendimentos dele, e os relatórios mostram o faturamento por profissional e por período. Dá para fechar o mês sem somar caderno.

Perguntas frequentes

Como calcular a comissão do cabeleireiro?

Defina a base (valor cheio, valor com a taxa do cartão descontada ou valor líquido sem o produto), aplique a porcentagem combinada e registre a conta atendimento por atendimento. Por exemplo, 40% sobre um serviço de R$ 200 dá R$ 80 quando a base é o valor cheio.

A comissão é sobre o valor bruto ou líquido?

Pode ser sobre qualquer um dos dois, desde que esteja combinado por escrito. É comum descontar a taxa do cartão e o custo do produto usado no serviço antes de aplicar a porcentagem.

O que é a Lei do Salão-Parceiro?

É a Lei 13.352, de 2016, que permite o contrato de parceria entre o salão e profissionais da beleza. O salão fica com uma cota-parte do valor dos serviços pela estrutura, e o profissional com o restante. O contrato deve ser escrito e seguir as exigências da lei, então vale a orientação de um contador ou advogado.

A comissão sobre venda de produto é igual à de serviço?

Normalmente não. A margem de um produto revendido é diferente da de um serviço, e por isso a comissão de venda costuma ser definida à parte.

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